Nesta quarta-feira , 3 de dezembro, é celebrado o Dia Internacional da Luta da Pessoa com Deficiência, uma data que simboliza resistência, mas que também evidencia a dura realidade de exclusão enfrentada por cerca de 18 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência.
No debate público, especialistas e formadores de opinião apontam a ausência de políticas públicas efetivas e a falta de preparo das instituições. Entretanto, a raiz do problema é mais profunda: uma sociedade que reivindica inclusão, mas que, na prática, ainda reproduz desigualdades, destrói sonhos e reforça barreiras.
A reflexão ganhou ainda mais força após a reportagem exibida nesta manhã, relatando a agressão sofrida por um menino de 10 anos, no Rio de Janeiro, que perdeu totalmente a visão de um dos olhos após ser brutalmente atacado por colegas dentro da escola.
O episódio reacende questionamentos sobre o ambiente escolar, historicamente considerado espaço de formação cidadã. Onde estava a gestão escolar? Como falharam os mecanismos de proteção, como o Conselho Tutelar e os órgãos de defesa dos direitos humanos?
Para a superintendente estadual da Pessoa com Deficiência de Mato Grosso, Tais Paula, o caso ilustra um cenário que, embora muitas vezes silencioso, é persistente: o capacitismo. “Esse preconceito sempre existiu. Antes velado, hoje é escancarado e, pior, ensinado às crianças”, afirma.
A gestora, que convive há 48 anos com os impactos das barreiras impostas pela sociedade, relata que a dor da invisibilidade acompanha grande parte das pessoas com deficiência. “Na escola, eu era a ‘diferente’, a esquecida. Ser invisível dói tanto quanto ser agredida”, relembra. Para ela, o episódio no Rio de Janeiro revela uma forma distorcida de “inclusão”, marcada pela violência que fere, marca e afasta as vítimas do ambiente escolar. “Como essa criança vai querer voltar para a escola?”, questiona.
Tais Paula destaca que, mesmo na vida adulta, o capacitismo permanece presente, no trabalho, nas ruas e nos espaços de lazer.
Em muitos casos, surge de forma mais sutil, mas não menos dolorosa. “A dor daquela criança é a dor de milhares de pessoas com deficiência, e também de mães atípicas que lutam diariamente para proteger seus filhos”, afirma.
Para ela, o que falta, no Brasil e no mundo, é o essencial: empatia, sororidade e humanidade. “A palavra que muitos gostam de usar, mas poucos sabem exercer, é a única capaz de transformar o mundo: amor”, conclui.