A falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Mato Grosso não é um problema recente. Trata-se de uma crise antiga, marcada por anos de denúncias, pedidos judiciais e apelos de famílias que enfrentam o desespero de não conseguir atendimento adequado em momentos críticos.
Diariamente, pacientes aguardam por vagas que não existem ou que demoram a surgir. Em muitos casos, a espera termina de forma trágica. Não por destino inevitável, mas pela ausência de estrutura suficiente para atender à demanda da população.
A situação expõe uma realidade dura: a saúde pública ainda não ocupa o lugar de prioridade que deveria. Enquanto investimentos avançam em outras áreas, a carência por leitos de UTI segue sendo uma das principais fragilidades do sistema.
Em cidades como Sinop, o cenário é ainda mais evidente. Famílias recorrem à Justiça, enfrentam transferências demoradas e convivem com a incerteza em momentos que exigem respostas rápidas e eficientes do poder público.
Mas a responsabilidade não pode recair apenas sobre gestores. A indignação coletiva, muitas vezes limitada às redes sociais, precisa se transformar em mobilização efetiva. Cobrança organizada, participação social e pressão institucional são caminhos necessários para que mudanças concretas aconteçam.
A pergunta que permanece é: até quando a população vai aceitar que o acesso a um leito de UTI, um direito básico à vida, seja tratado como exceção e não como regra?
Sem saúde, não há estrutura familiar, não há segurança e não há dignidade. E enquanto essa realidade persistir, o silêncio não pode ser uma opção.
Fonte: Redação
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