Mato Grosso lidera feminicídios no país e promotora cobra ações efetivas no Senado

A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, coordenadora do Núcleo de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar da Capital, representou o Ministério Público de Mato Grosso em audiência pública no Senado, nesta quarta-feira (27), que discutiu o aumento dos casos de feminicídio no Brasil. O debate integrou a campanha Agosto Lilás e foi presidido pela senadora Leila Barros (PDT-DF).
Durante a sessão, Claire destacou que Mato Grosso lidera o ranking nacional de feminicídios proporcionais à população feminina. Em 2024, foram 47 mulheres assassinadas; somente entre janeiro e agosto de 2025 já são 35 vítimas, aumento de 32% em relação ao mesmo período do ano passado. O caso mais recente foi o da fonoaudióloga Ana Paula Abreu, morta a facadas pelo marido em Sinop.
A promotora alertou que, desde 2019, menos de 10% das vítimas tinham medidas protetivas no momento do crime. Em 2025, apenas cinco mulheres estavam sob proteção judicial; em dois casos houve falha estatal e, nos demais, as vítimas haviam reatado com os agressores.
Ela citou iniciativas locais como o Espaço Caliandra, que oferece atendimento multiprofissional, e o Observatório Caliandra, que reúne dados em tempo real sobre feminicídios em parceria com a Polícia Civil.
Para Claire, o feminicídio é “expressão extrema do machismo estrutural” e exige medidas além do endurecimento das penas. Entre as propostas defendidas estão:
•monitoramento eletrônico universal com tornozeleira e botão do pânico;
•ampliação da Patrulha Maria da Penha;
•mais delegacias especializadas e serviços psicossociais;
•e políticas de autonomia financeira, como cursos de qualificação e incentivo ao empreendedorismo.
“Não existe uma solução única. É preciso atuação em rede e mobilização de toda a sociedade para enfrentar essa realidade”, concluiu.

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